“Ele, o Fotógrafo: “Eu acredito apenas no que vejo.”

Ela, a Restauradora: “Eu acredito em tudo que não vejo. Deus, o amor, a vida.”

(“Imagens de Palermo”, de Wim Wenders)

E vc, acredita em que?

Pois então é assim: faz tempo não passo por aqui – sequer lembro desse espaço, confesso. Vez ou outra me vem um rompante (‘Tenho um blog!’), mas soa mais como uma miragem.

É curioso olhar pra isso: até outro dia eu escrevia desbragadamente – no blog, num diário particular e secreto, para a Crônica do Dia, em papéis soltos, nas folhas da agenda em branco. Era quase uma rotina, como se escrever me libertasse das minhas sombras, dos meus medos, das angústias, de todas as dores que abrigo.

Agora, alguma coisa se quebrou dentro de mim. E como falo pouco do que sinto – que amigos se tem, de fato, capazes de ouvir e suportar o que nos vai por dentro? – ficou um silêncio que me ensurdece todo dia. Assim, não há ilusões: eu continuo fervendo, as juntas do corpo e da alma em dilacerante e crescente inquietação. Parece que não descanso – e nem falo do trabalho propriamente dito, pois esse me dá prazer indescritível, mas de um cansaço inerente, grudado na minha pele desde que me percebo como mulher.

Então ficamos assim: eu me desculpo e quem passa por aqui me releva. Não fica triste nem chateado por estar sem notícia, sem palavra, sem resposta. Não me ignora completamente (por favor!), mas me entende: eu não sei mais o que escrever sem correr o risco de perturbar. Vivo um turbilhão interno que nem eu compreendo: uma parte de mim é tão feliz que nem cabe em si; poderia dançar pelas ruas, gritar alegremente pelos quatro ventos, poderia até morrer, que o faria em paz.

Mas tem um lado que sorve desgosto e amargura – e nem quer morrer porque pensa que seria um péssimo momento despedir-se assim da vida, tão cheia de ranço. Todos os dias amanheço e penso no meu pai. Não é uma obsessão – podem acreditar, eu não sou uma pessoa obsecada por nada – mas uma constatação que incomoda, porque entristece: ele não está aqui, não escuta, não orienta, não ajuda. Deve até saber o caminho pra eu sair desse ‘buraco negro emocional’, mas não pode indicar. Está ‘lá’, num lugar que alguns dizem existir e só pode assistir a minha trajetória – da qual, eu sei, nesse momento, por parte dela, ele se orgulha, deve sorrir, pois sabia que eu ia conseguir chegar onde estou… (Será que eu devia chorar para descolar um pouco dessa saudade? Faz tempo que não choro…)

Mas porque a vida tem que ser assim, nunca 100%? Se vc resolve uma pendência, realiza um sonho antigo, conquista uma meta, põe em prática um projeto, uma metade disso se desprende de repente, arquiteta contra você, como se dissesse: “Não, não é possível uma vida perfeita, minha cara, tem que ter o contraponto’.

E assim a gente se desnivela, sai do eixo, fica procurando o caminho do meio, tateando no escuro – e tem certeza que está sol lá fora!

Valha-me… Daqui a pouco é segunda-feira, e eu, que sempre adorei as segundas-feiras, não vejo a hora de amanhecer de novo, uma nova semana. Possibilidades… Você já pensou em como qualquer coisa pode acontecer?

Até qualquer hora…

Pois então é Carnaval – como dizia meu pai, ‘a maior festa do ano’.

Eu me pego vendo a folia pela TV e penso nele: fecho os olhos e diante de mim estão os bailes em que eu o acompanhava, fantasiada e feliz, braço dado, sempre uma princesa ao seu lado. Eu sinto uma enorme saudade…

E como há tempos não escrevo pra Crônica do Dia , hoje tem um texto sobre o Carnaval.

Que seja alegre pra você!

Essa semana, um dos temas do programa Saia Justa – debate do GNT com Maitê Proença, Betty Lago, Mônica Waldvogel e Marcia Tiburi – foi o ‘Homem Bomba’.

Márcia Tiburi contou, resumidamente, a história de um dos contos do livro “RASIF”, de Marcelino Freire, mais ou menos assim:

“Um homossexual ia dentro de um ônibus e se viu sentado à frente do que ele identificou como o ‘homem da sua vida’. Na fração de segundos que se seguiu, ele imaginou a infância, a adolescência, a vida do homem em questão; desenhou na mente a imagem perfeita de olhos brilhantes, o sorriso, o sonho de viver ao seu lado. Mas, num rompante, ele se levantou e desceu do ônibus. E enquanto continuava vendo o ônibus se afastar, seguiu imaginando aquele homem, quando, de repente, o ônibus explodiu, e aquele homem idealizado era o Homem Bomba.”

A questão do debate era: como reconhecer um ‘Homem Bomba’ e sair do alcance dele antes que ele exploda?

Betty Lago disse que nem se devia ‘subir no ônibus’ – ao que Márcia rebateu que ‘já se estava dentro’, apaixonada.

Maitê Proença – que eu adoro e acho sempre muito lúcida (e com quem concordo) – acha que reconhecer não é o mais difícil, mas ‘descer do ônibus’ é que é o problema. Ela citou alguns exemplos, mas pra cada mulher há ‘o’ insustentável, ‘o’ insuportável, aquela coisa que cada uma (ou cada um, que também tem ‘Mulher Bomba’) não admite uma segunda vez.

Mas porque, então, muitas de nós se vê ante a repetição de coisas que não tolera, mas não consegue ‘descer do ônibus’? Eu sempre me perguntei isso – e vivi isso de não conseguir descer do ônibus’ e praticamente o ônibus não explodiu comigo dentro por pura sorte. Beira ao absurdo tal atitude, mas é tão comum quanto inexplicável.

Porque a gente não consegue simplesmente seguir em frente, ‘descer do ônibus’ quando vê que aquela pessoa é uma ‘bomba’ que pode/vai explodir a qualquer momento?

Você, que eventualmente me lê, tem uma opinião a respeito? Achei o debate super interessante – embora sem resposta definitiva…

Esse texto é uma tradução do site Zenhabits.

“Aprendi os pecados mortais dos namoros e casamentos, como reconhecê-los e evitá-los.

Aqui listo os 7 principais:

1. Ressentimento.
Esse é um veneno que começa pequeno (”Ele não substitui o rolo de papel higiênico” ou “Ela não lava o prato depois de comer”) e vai crescendo até ficar enorme. Ressentimento é perigoso porque geralmente fica abaixo do nosso radar, de modo que não percebemos que estamos ressentidos, e nosso parceiro não entende que há algo errado. Se você já se pegou tendo ressentimento, precisa endereçá-lo rapidamente, antes que fique pior. Corte-o pela raiz enquanto ainda é pequeno. Há duas boas maneiras de lidar com ressentimento. A primeira: respire fundo e simplesmente deixe o sentimento ir embora – aceite seu parceiro como ele é, incluindo as falhas (ninguém é perfeito). A segunda: fale com seu parceiro sobre isso, se não dá para aceitar, e tente vir com uma solução que funcione para ambos (não só para você). Tente falar sem confrontar e sim de um jeito que expresse como você se sente sem ser acusatório.

2. Ciúmes.
É difícil controlar o ciúme se você o sente, eu sei. Ele parece acontecer por si mesmo, fora do nosso controle. De qualquer forma, o ciúme – assim como o ressentimento – é um veneno para a relação. Um pequeno ciúme tudo bem, mas quando chega a um certo nível de necessidade de controlar o seu parceiro, ele se transforma em brigas desnecessárias, que deixam ambos infelizes. Se você tem problemas com ciúmes (como eu já tive), em vez de tentar controlá-lo, é importante que você examine e faça um acordo com a raiz do problema, a insegurança. Essa insegurança pode estar ligada a sua infância (como abandono dos pais, por exemplo), num relacionamento anterior em que você se feriu, ou em incidentes passados do seu relacionamento.

3. Expectativas não realistas.
Frequentemente nós temos uma idéia de como nosso parceiro deveria ser. Nós esperamos que sejam limpos, ponderados, que sempre pensem na gente primeiro, que nos surpreenda, nos suporte, que sejam sempre sorridentes, que trabalhem duro e não sejam preguiçosos. Não necessariamente essas expectativas, mas quase sempre temos expectativas para nossos parceiros. Ter alguma expectativa é bom – nós deveríamos esperar que nosso parceiro seja confiável, por exemplo. Mas alguma vezes, sem perceber, nós criamos expectativas muito altas para acontecer. Nosso parceiro não é perfeito – ninguém é. Não podemos esperar que eles sejam carinhosos e amorosos a cada minuto de cada dia – todo mundo muda de humor. Não podemos esperar que eles sempre pensem na gente, já que eles obviamente vão também pensar neles ou em outros alguma hora. Não podemos esperar que eles sejam exatamente como nós somos, já que cada um é cada um. Expectativas muito altas levam a desapontamento e frustração, especialmente se não comunicamos ao outro essa expectativa. Como podemos esperar que nosso parceiro atinja essas expectativas se eles nem sabem sobre elas? O remédio é baixar nossas expectativas – deixar nossos parceiros serem eles mesmos, e aceitá-los e amá-los por isso. As expectativas básicas que nós mantivermos devem ser comunicadas claramente.

4. Não ter tempo.
Esse é um problema de casais que tem filhos, mas também de outros casais que são pegos pelo trabalho, hobbies, amigos e famílias ou outras paixões. Casais que não passam tempo sozinho juntos criam um abismo entre si. E embora passar tempo junto quando você está com filhos, amigos ou família seja bom, é importante também passar algum tempo juntos e sozinhos. Não consegue achar tempo com todas as coisas que estão acontecendo – trabalho, filhos e outras coisas? Crie tempo. É sério, crie tempo. Isso pode ser feito. Eu faço isso – simplesmente tenho certeza de que essas horas com meu parceiro é uma prioridade, e eu adio qualquer coisa para ter esse tempo. Contrate uma babá, cancele alguns compromissos, adie o trabalho por um dia, e saia com ele. Não precisa ser uma saída cara – algum tempo na natureza, fazendo exercícios juntos, assistindo a um filme e tendo um jantar a dois, todas são boas opções. E quando vocês estiverem juntos, faça um esforço para se conectarem, não apenas estarem juntos.

5. Falta de comunicação.
Esse pecado afeta todos os outros nesta lista – ele foi dito muitas vezes antes, mas é verdade: boa comunicação é fundamental para um bom relacionamento. Se você tem ressentimento, você deve conversar sobre isso em vez de deixar o ressentimento crescer. Se você é ciumento, você deve abrir o jogo e ser honesto ao expor sua insegurança. Se você tem expectativas, deve dizê-las ao seu parceiro. Se existem problemas, você deve dizer e trabalhar para solucioná-los. Comunicação não quer dizer apenas falar ou brigar – a boa comunicação é honesta sem ser acusatória. Comunique seus sentimentos – frustração, desculpa, medo, tristeza, alegria – em vez de criticar. Comunique um desejo para trabalhar em uma solução que funcione para ambos, um compromisso, em vez de uma necessidade de fazer o outro mudar. E comunique mais do que apenas problemas – comunique também as boas coisas.

6. Não demonstrar gratidão.
Algumas vezes não existem problemas reais em um relacionamento, como ressentimento, ciúme ou expectativas altas, mas há também a não-expressão de coisas boas relativas ao seu parceiro. Essa falta de gratidão e apreciação é tão ruim quanto os demais problemas, porque sem ela seu parceiro vai sentir que você está com ele por compaixão. Toda pessoa quer ser apreciada pelo que faz. E apesar de você poder ter alguns problemas com o que seu parceiro faz, você deveria também realizar que seu parceiro também faz coisas boas. Ele lava os pratos ou cozinha algo que você gosta? Ele lhe ajuda ou dá suporte no seu trabalho? Tire um tempo para dizer obrigado, dê um beijo e um abraço. Essa pequena atitude pode levar a um belo caminho.

7. Falta de afeto.
Similarmente, tudo o mais pode estar indo bem, incluindo a expressão de gratidão, mas se não existe afeto entre os parceiros então há um sério problema. COm efeito, o relacionamento está indo em direção a um amor platônico. Isso pode ser melhor do que muitos relacionamento com problemas sério, mas não é uma coisa boa. Afeto é importante – todo mundo precisa de um pouco, especialmente vindo de quem amamos. Tire um tempo, todo santo dia, para dar atenção ao seu parceiro. Faça festa quando ele ou ela chegar em casa do trabalho, dê um grande abraço. Acorde-o com um beijo apaixonado (quem liga pra o hálito!). Chegue por trás e dê um beijo no pescoço. Massageie suas costas enquanto ele vê TV. Sorria sempre.

8. Pecado bônus: Teimosia.
Essa não estava na lista original, mas só pensei nela justo agora e não podia deixar de fora. Todo relacionamento terá problemas e discussões – mas é importante que você aprenda a resolvê-los depois de baixar a guarda um pouco. Infelizmente, muitos de nós são tão teimosos até para falar sobre. Talvez nós sempre queremos estar certos. Talvez nós nunca queremos admitir que cometemos um erro. Talvez nós não gostemos de pedir desculpas. Talvez nós não gostemos de nos comprometer. Eu já fiz todas essas coisas – mas aprendi depois de todos esses anos que isso é apenas criancisse. Quando eu me pego sendo teimoso atualmente, tento superar essa infantilidade e deixar meu ego de lado e pedir desculpas. Falamos sobre o problema e tentamos solucioná-lo. Não tenha medo de ser o primeiro a pedir desculpas. Depois deixe isso no passado e vá para as boas coisas.”

Uma das ‘minhas’ netas, a mais nova, Marina, quando vem à nossa casa gosta de brincar com um pote de vidro com tampa de Chapéu de Bruxa – que foi presente de minha amiga Andréa Bianchi, há muitos anos atrás -, que tem dentro papéis coloridos enroladinhos, com mensagens de sorte. Muitos deles já foram pro lixo, rasgados e mordidos, vocês podem imaginar. Mas o mais gostoso é ouví-la repetir ‘Bruxa’. A palavra tem uma sonoridade engraçada na voz infantil. E alegre. Isso transforma o ‘personagem’, que teoricamente é malvado, em algo totalmente subjetivo e com uma aura divertida.

Pessoalmente, sempre fui fã das Bruxas nas histórias infantis. Há um quê de especial nas madrastas de Branca de Neve e Cinderela, em Malévola, da Bela Adormecida, nas madrastas de João e Maria, em Gothel, a Bruxa que trancafiou Rapunzel, em Úrsula, a Bruxa do Mar que queria roubar a voz de Ariel.

Sempre belas antes das eventuais transformações – e até depois delas, como Malévola, que é uma das minhas Bruxas prediletas -, essas mulheres parecem guardar uma enorme força e poder, ainda que usem tal energia para se auto-afirmar de qualquer jeito e, para tanto, se valham de subterfúgios repudiáveis. E mesmo que as Princesas sejam injustiçadas, e que as Bruxas saiam sempre vencidas, esses atributos constituem a síntese das histórias, porque sem as Bruxas elas não existiriam – sem Bruxas, aliás, nem existiriam Princesas!

Nas histórias infantis da atualidade, as Bruxas são personagens mais divertidos – como a Bruxa Onilda, de Lya Luft, que vive viajando ao redor do mundo. As Bruxas criadas pelos novos autores são aventureiras e perderam sua maldade e arrogância; além disso, já não mais se fabricam Princesas nesses contos – tudo é mais adaptado para a realidade do novo século. Só as crianças, ainda bem, não mudam com a mesma velocidade: elas ainda se encantam com Bruxas, Fadas e Princesas, e acho que precisam desse mundo antigo para suas memórias futuras.

Assim, ando às voltas com a busca de uma Bruxa de pano – uma Bruxa bonita -, para presentear Marina. Lembrei que eu tinha uma Bruxa de porcelana, antiga, que poderia fazer as vezes por enquanto, mas não a encontrei nas caixas onde guardo minhas miniaturas, e penso que devo tê-la dado para alguém. Não tem importância: hei de encontrar uma Bruxa à altura de ficar na mente da neta por muitos anos, e um dia, quem sabe, ainda vou vê-la se apaixonar ainda mais pelas Bruxas e descobrir que dentro de toda mulher mora uma Malévola – que odeia ser desprezada -, uma Rainha Malvada – que detesta não ser a mais bela -, uma Gothel, que só queria ter uma filha.

Eu sei: Bruxas não são politicamente corretas e suas atitudes não devem ser exaltadas, muito menos repetidas. Mas não se pode negar – e quando a gente cresce, nem se pode esconder – a Bruxa que nos habita e que, vez ou outra, nos inflama.

P.S.: Mais adiante, verei de resgatar textos que concluíram minha formação na Especialização em Literatura Infantil. Acreditem: o mundo dos Contos de Fadas é sempre fascinante e cheio de descobertas…

Pois agora já é Fevereiro. Parece que foi ontem o Natal, a virada do ano. A vida anda urgente…

Eu quase não acompanho, tamanha a preguiça que ainda me espreita. Uma certa inércia… Tanto trabalho a fazer e me falta movimento, energia, lucidez. Segunda-feira tenho uma cliente agendada pra atender. Será que isso acionará o gatilho de recomeço? Quando é que o ano começa, afinal?

Hoje minha família vem pro almoço – os filhos, as noras, os netos. Isso é algo que não pára: vida que acontece entre os que se ama. Isso me move – não tem como ficar parada diante de uma família que a cada ano aumenta mais.

E agora Fevereiro, o Carnaval. E tudo que não posso deixar pra amanhã ao meu encalço…

“Sempre conservei uma aspa à esquerda e à direita de mim.” (Clarice Lispector)

Não sei se sempre, mas vez ou outra me percebo nitidamente entre aspas. Isso significa estar meio suspenso ante algumas questões, algo como colocar-se à margem.

Todo mundo sabe – se não sabe, devia saber – que sinceridade não deve ser desculpa para falta de educação, nem deve servir para tripudiar ou magoar, mas omitir verdades necessárias pode ser desleal consigo mesmo – e também com o outro. É possível dizer que se concorda com algo que se discorda totalmente para não criar atrito, mas pode incomodar internamente, deixar a gente desconfortável.

Eu não me distraio de alguns assuntos e só mudo de opinião se conseguirem provar que o meu raciocínio está equivocado. E detesto quando tentam me convencer de que uma mesma situação possa ter lados diferentes quando ocorridas a pessoas diversas. Mais ou menos assim: se uma mulher vira amante do seu marido, ela não presta; mas se a sua amiga é amante do marido de outra… bem, essas coisas acontecem…

Então tá. A gente pode fechar os olhos e achar que é assim. E quando a amiga perguntar, a gente não vai se indispôr, claro, nem ser mal educada, muito menos magoá-la – imagine, ela já está numa situação delicadíssima! Vamos concordar que é assim mesmo, essas coisas acontecem – desde que não aconteçam com você, ou seja, que ela não se engrace com o SEU marido, estejamos ajustadas.

E aí você pode se manter assim, como estou me colocando nesse momento: entre aspas. E não dizer nada, apenas ouvir e acompanhar o desfecho inevitável da trama, como telespectadora de uma novela cujo final você já conhece. Você se protege e, de certa forma, protege o outro. Convence-se de que as pessoas só ouvem a própria voz – o que não é mentira, vamos combinar -, então, melhor não gerar mal estar, não interferir, não atrapalhar, não ajudar, não condenar nem aprovar. Lavar as mãos. Silenciar. No máximo, concordar.

E, sim, deixa eu me lembrar: não vale sentir-se mal quando as coisas dão erradas e a gente se omitiu. Vamos nos convencer: afinal, a gente não podia mesmo fazer nada!

Mas que incomoda, incomoda…