Pois então é assim: faz tempo não passo por aqui – sequer lembro desse espaço, confesso. Vez ou outra me vem um rompante (‘Tenho um blog!’), mas soa mais como uma miragem.

É curioso olhar pra isso: até outro dia eu escrevia desbragadamente – no blog, num diário particular e secreto, para a Crônica do Dia, em papéis soltos, nas folhas da agenda em branco. Era quase uma rotina, como se escrever me libertasse das minhas sombras, dos meus medos, das angústias, de todas as dores que abrigo.

Agora, alguma coisa se quebrou dentro de mim. E como falo pouco do que sinto – que amigos se tem, de fato, capazes de ouvir e suportar o que nos vai por dentro? – ficou um silêncio que me ensurdece todo dia. Assim, não há ilusões: eu continuo fervendo, as juntas do corpo e da alma em dilacerante e crescente inquietação. Parece que não descanso – e nem falo do trabalho propriamente dito, pois esse me dá prazer indescritível, mas de um cansaço inerente, grudado na minha pele desde que me percebo como mulher.

Então ficamos assim: eu me desculpo e quem passa por aqui me releva. Não fica triste nem chateado por estar sem notícia, sem palavra, sem resposta. Não me ignora completamente (por favor!), mas me entende: eu não sei mais o que escrever sem correr o risco de perturbar. Vivo um turbilhão interno que nem eu compreendo: uma parte de mim é tão feliz que nem cabe em si; poderia dançar pelas ruas, gritar alegremente pelos quatro ventos, poderia até morrer, que o faria em paz.

Mas tem um lado que sorve desgosto e amargura – e nem quer morrer porque pensa que seria um péssimo momento despedir-se assim da vida, tão cheia de ranço. Todos os dias amanheço e penso no meu pai. Não é uma obsessão – podem acreditar, eu não sou uma pessoa obsecada por nada – mas uma constatação que incomoda, porque entristece: ele não está aqui, não escuta, não orienta, não ajuda. Deve até saber o caminho pra eu sair desse ‘buraco negro emocional’, mas não pode indicar. Está ‘lá’, num lugar que alguns dizem existir e só pode assistir a minha trajetória – da qual, eu sei, nesse momento, por parte dela, ele se orgulha, deve sorrir, pois sabia que eu ia conseguir chegar onde estou… (Será que eu devia chorar para descolar um pouco dessa saudade? Faz tempo que não choro…)

Mas porque a vida tem que ser assim, nunca 100%? Se vc resolve uma pendência, realiza um sonho antigo, conquista uma meta, põe em prática um projeto, uma metade disso se desprende de repente, arquiteta contra você, como se dissesse: “Não, não é possível uma vida perfeita, minha cara, tem que ter o contraponto’.

E assim a gente se desnivela, sai do eixo, fica procurando o caminho do meio, tateando no escuro – e tem certeza que está sol lá fora!

Valha-me… Daqui a pouco é segunda-feira, e eu, que sempre adorei as segundas-feiras, não vejo a hora de amanhecer de novo, uma nova semana. Possibilidades… Você já pensou em como qualquer coisa pode acontecer?

Até qualquer hora…

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4 pensamentos sobre “

  1. Não sei o que dizer agora, após a leitura do teu texto. Mas não queria sair sem nada dizer.
    Volto pra tentar dizer melhor… De qualquer modo, lembrei do verso da música “que eu desorganizando, posso me organizar…”
    Aposto nisso, pq é preciso apostar em algo.
    Boa semana pra vc tb e obrigada pela visita no Asa.

  2. querida,
    tive um terapeuta que dizia que nada é perfeito porque temos a imaginação. E, a vida real, nunca alcançará o que a imaginação pode sonhar…
    Lembrei disso agora.
    Vamos nos ver sim. Em julho, ok?
    beijos! saudades!

  3. Eu venho aqui vez ou outra, sempre na esperança de encontrar um escrito seu. Um escrito onde eu me reflita, como tantas e tantas vezes já aconteceu. Existem variados tempos dentro de nós, talvez esse tempo agora seja mesmo de silêncio. Há que se respeitar. Fique bem.
    um beijo carinhoso,

  4. ADOREI SEU TEXTO PORUQ ME IDENTIFIQUEI TOTALMENTE ,ENTENDO O QUE VOCÊ PASSA E TE DIGO NEM A TERAPIA AS VEZES AJUDA SÓ MESMO O TEMPO ……………………
    SE QUISER CONHECER MEU BLOG SERÁ MUITO BEM RECEBIDA…
    UM ABRAÇO! CLEO.

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